Tatiana (doce moça)
devolva os óculos
que eu preciso te enxergar.
Neste breu (dos olhos meus)
vejo e torço, sinto e ouço
um alvoroço por findar.
Tatiana (viçosa moça!)
houve um tempo (belo tempo!)
ainda verde
nos olhos deste moço
incauto e insosso
que sonhou em te amar.
Tatiana (dúbia cor)
tenho a alma (fria e calma)
tenho os olhos (quentes olhos!)
imersos no teu dorso.
Há um intento (lento)
há muito tempo;
há um tormento (imenso)
há um desalento (intenso)
que me faz recuar.
Tatiana (saudosa dor)
abaixo do pescoço
me resta um osso
e muitos outros
neste corpo, que foi miço
e teve rosto.
Neste fosso (fundo poço!)
cada nervo (e cada osso)
volve à cor, ao brilho infindo!
quisera eu pudesse ainda.
Tatiana (alva moça)
revive a cisma
urge um esforço...
Tenho os olhos (breves olhos)
cravados no teu pescoço.
Ouça, Tatian (distante flor)
ouça os rancores (ouça o mar!).
São rumores de vaidade;
são resmungos; são saudades;
são vergonha de chorar!
*A Via Láctea*